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AS MINHOCAS NA SOCIEDADE E NOS ECOSSISTEMAS:

As minhocas surgiram no planeta há cerca de 600 milhões de anos e a sua capacidade em se adaptar a diversas condições climáticas e de disponibilidade de alimento fizeram destas um caso de sucesso em termos evolutivos, tendo na sua escalada evolutiva adotado diversas estratégias de sobrevivência inerentes a cada espécie, como a capacidade de regenerar seções do corpo, a habilidade em construir galerias no solo, o elevado potencial reprodutivo ou um sistema imunológico fortemente desenvolvido.

As minhocas são espécies animais macroscópicas pertencentes ao filo Anellidae e sub-classe Oligochaeta (do grego oligo que significa pouco e chaeta que significa ceda), sendo conhecidas aproximadamente 3.000 espécies, representando a maior fração da biomassa de natureza animal na superfície terrestre dos ecossistemas temperados. A família Lumbricidae possui origem na Europa, pelo que a colonização europeia de outros continentes transportou consigo as minhocas, que, face a novas condições edafo-climáticas, se tornaram frequentemente dominantes, substituindo em diversos casos as espécies endémicas. Atualmente as minhocas de origem europeia encontram-se dispersas por quase todas as regiões de clima temperado do planeta.

Fig. – Minhocas Epígeas.

As minhocas mineralizam azoto, fósforo e outros elementos de natureza orgânica e mineral em formas mais facilmente assimiláveis pelas plantas, transformando, em curtos períodos de tempo 20 a 200 kg de azoto por hectare aumentando os seus teores em mais de 85%, pelo que os agricultores consideram que a sua presença no solo, incluindo as espécies exóticas, confere importantes benefícios para a manutenção da sua fertilidade.

Quando reunidas as condições ideais de humidade, temperatura, alimentação e espaço disponível, as minhocas poderão multiplicar-se a 28 ou 256 a cada 6 meses a partir de um único indivíduo. Cada uma destas 256 minhocas irá multiplicar-se de acordo com a mesma proporção produzindo-se elevados valores de biomassa em curtos períodos de tempo.

As minhocas dividem-se entre espécies Epígeas (ou Epigénicas), Anésicas ou Endogénicas, contudo apenas as primeiras poderão ser utilizadas em vermicompostagem por serem espécies de superfície e por apresentarem:

  • Capacidade em aceitar como alimento diferentes fluxos de resíduos orgânicos, colonizando, assimilando e decompondo naturalmente os mesmos.
  • Elevado consumo e digestão do alimento/resíduo disponibilizado.
  • Elevada tolerância às variações ambientais e edafo-climáticas.
  • Elevados índices de reprodução e de viabilidade dos casulos.
  • Rápido crescimento e curto ciclo de vida.
  • Reduzido período para obtenção da maturidade sexual.
  • Elevada resistência a condições extremas e ao manuseamento manual.

As espécies mais conhecidas nesta classificação são as espécies Eisenia fetida e Eisenia andrei pertencentes ao género Eisenia spp.

Nelson Lourenço